fevereiro 06, 2010
Que calor é esse?

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Nesses dias de calor infernal, fora do normal, sob sol escaldante, não tem coisa melhor do que ficar dentro d'água... Só assim pra refrescar "a cuca". ;ˆ)

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janeiro 10, 2010
A phone call that never happened

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A phone call that never happened, somewhere around Los Angeles, CA, in the 1950's.

Clint: Hey, Rock, come down to the beach, man. Lots of pretty girls here for us to hang out with.
Rock: Why don't you come over instead? The pool is great and I'm all alone. Let's have some drinks and relax.
Clint: Well... I guess I'll stay here on the beach for a while. See you later.

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janeiro 04, 2010
How to Murder Your Wife, 1966

Um dos filmes que eu vi na "Sessão da Tarde", quando eu era pré adolescente e que me deixou lembranças e saudades era daquele mesmo gênero de "Bonequinha de Luxo" e "Sortilégios de Amor" que já foram comentados aqui. Eu me lembrava pouca coisa além do fato do Jack Lemmon estar no filme e dele ser desenhista de tirinhas de jornal e que ele era casado com a Virna Lisi e que ela infernizava a vida dele de alguma forma e ele queria, então, se livrar dela, mesmo ela sendo ESTUPENDAMENTE linda.

Depois de algumas pesquisas ao incomparável Internet Movie Database (IMDb, que agora existe em português) descobri que o filme se chama How to Murder Your Wife e que ele foi dirigido em 1966 (o ano em que eu nasci) pelo Richard Quine o mesmo de Bell, Book & Candle e Paris When It Sizzles (outra Sessão da Tarde adorável com Audrey Hepburn).

O próximo passo foi fazer download do filme e me deliciar com as memórias que o tempo apagou mas deixou detalhes intactos como os desenhos da personagem de Jack Lemon, a beleza de Virna Lisi e o estilo de Richard Quine que mantém os closes nos olhos na hora do "amor à primeira vista" e a leveza da vida americana nos anos 50, em especial em New York, como se o mundo fosse de fato mágico e as pessoas se casassem com a primeira italiana que saísse de dentro de um bolo.

Acho que o que marcou o filme para mim foi o fato dele ser desenhista, de ter aquela mesa de desenhista que eu sonhei anos em ter, de transformar as situações da sua vida real em quadrinhos e a lembrança da estonteante Virna Lisi, que eu vi também em "A Tulipa Negra", com o Alain Delon e, anos e anos e anos mais tarde, esteve magnífica em La Reigne Margot, completamente diferente e desglamourizada.

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novembro 28, 2009
Do Começo Ao Fim

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Já disse várias vezes: cinema é fantasia, magia, ilusão. Cinema me faz descansar do dia-a-dia e me transporta para outros mundos, outras realidades. Vivo a vida dos outros e imagino, inconscientemente, como seria se eu fosse uma daquelas pessoas. É como se eu escolhesse, sem pensar, um daqueles personagens para mim mesmo e me visse na pele dele. Pelo menos com os bons filmes é assim. Bons filmes para mim, é claro. E com isso eu quero dizer também que pouco me importa a crítica ou a opinião dos outros. Isso deveria valer para todo mundo. Não dá para dizer se um filme é bom ou não sem assisti-lo. Por isso, apesar da avalanche de críticas não tão boas ao filme Do Começo ao Fim, de Aluizio Abranches, eu fui vê-lo o mais rápido que pude (estreou ontem aqui no Rio).

O filme tem a narração de um jovem que, ao nascer, fica duas semanas de olhos fechados. Ele abre os olhos justamente quando seu irmão mais velho vai visitá-lo na maternidade pela primeira vez. Ele abre os olhos e vê o irmão. É a primeira imagem, a primeira pessoa, que ele vê na vida. Thomás (Rafael Cardoso) é filho de Julieta (Julia Lemmertz) e Alexandre (Fábio Assunção) e irmão de Francisco (João Gabriel Vasconcellos), cinco anos mais velho, que é filho de Julieta com seu primeiro marido, Pedro (Jean Pierre Noher), um argentino que mora em Buenos Aires.

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Thomás e Francisco crescem cada vez mais próximos e mais íntimos. Os pais não entendem muito bem o que acontece e a mãe é quem reage da forma mais tranquila, embora apreensiva, a essa união dos irmãos. O filme dá um salto de mais ou menos 15 anos, quando os irmãos deixam de ser crianças e viram adultos. A gente fica sem saber se, durante a adolescência deles, essa relação gerou conflitos ou não, mas após a morte da mãe eles se sentem "livres" para viver o amor deles de forma total. Aparentemente eles fazem sexo pela primeira vez depois da morte da mãe que era, de fato, o único elo sanguíneo entre os dois, já que são filhos de pais diferentes.

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Ouso dizer que esse é, hoje, o "Brokeback Mountain" brasileiro e sei que muitos vão discordar de mim, mas não há, que eu saiba, na filmografia nacional, outro longa metragem que retrate o amor entre dois homens de forma tão bonita, poética, explícita e sincera. O fato deles serem irmãos não me chocou, pois eles mesmos não parecem ter conflitos em relação a isso. O que o filme mostra é que o amor entre eles é tão forte que consegue ser maior e mais importante do que a ideia de incesto. Não deixa de ser um longo comercial gay de margarina, mas eu não disse que cinema era ilusão, fantasia e magia? Pois é isso.

Julia Lemmertz está MAGISTRAL como a mãe sensível que todo homem gay gostaria de ter (não reclamo da minha que é a versão mais real dessa do filme que se pode esperar, graças a Deus). E João Gabriel Vasconcellos como Francisco, o irmão mais velho, é encantador em sua entrega ao personagem que, ainda criança, promete cuidar do irmão para sempre. Não posso deixar de citar que Rafael Cardoso também está excelente, mas é de João Gabriel os mais sensíveis e sedutores olhares, sorrisos e lágrimas. É através dele que a gente sente o amor incondicional que nos faz sair do cinema leves, encantados e felizes com a vida.

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Assim eu fiquei e ainda estou. Para que ler críticas depois disso?

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novembro 19, 2009
Julia comes to the rescue

Só não fui na primeira sessão do dia porque tinha que trabalhar. Combinei então com o Gabriel de pegarmos a das 7:20 pm. Ele zombou, dizendo que não teria ninguém na sala do cinema—somente um bando de velhinhas, ele afirmou. Chegamos em cima da hora e fomos avisados de que a sessão estava cheia, sobravam apenas algumas cadeiras nas fileiras da frente. Sala vazia, somente com algumas velhinhas, hein? Vamos assim mesmo, respondi prontamente. Nem pensar em esperar mais horas para ver Julie & Julia, o filme baseado no livro da Julie Powell e com o acréscimo de partes do livro biográfico e póstumo da Julia Child, My Life in France. Entramos na sala lotada, já com os trailer em ação e sentamos lá na frente, com aquela tela imensa distorcida e tivemos que praticamente deitar na cadeira até que os olhos se acostumassem com aquela imagem gigantesca na nossas caras.

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Julia & Paul Child valentine's card

O filme era tudo o que eu esperava. Adorei ver Julia Child finalmente personificada, num trabalho excelente de uma atriz do calibre da Meryl Streep e me identifiquei um pouco com a blogueira obstinada que, de uma certa maneira, trouxe Julia novamente para o nosso convívio. Depois do sucesso do blog projeto Julie & Julia e seguidamente do livro Julie & Julia, os dois volumes da obra prima de Julia Child, Mastering the Art of French Cooking, voltaram a ser abertos nas cozinhas de todo o mundo e Julia, nunca realmente ausente, voltou a fazer parte da nossas conversas em blogs e na vida real.

Quem leu os dois livros—como eu, vai perceber o filme num âmbito um pouco maior, pois nos livros há muitos detalhes deixados de fora no filme. Duas horas não são suficientes para contar com todos os micros detalhes as histórias dessas duas mulheres. Mas a diretora Nora Ephron fez um filme equilibrado, com um roteiro bem articulado que conta um pouco sobre a trajetória inicial da Julia Child e do projeto de Julie Powell.

É muito mais fácil se encantar com a história de Julia Child, que se inicia na Paris do final dos anos 40 e que culminou com a publicação de um livro que virou biblia da cozinha francesa para os americanos e a transformou num mito da cultura gastronômica mundial. Julia era única, inimitável, altona e desengonçada, com uma voz de marreca, casou-se tarde numa união extremamente feliz. Tudo o que ela fez foi meio que por acaso. Era perseverante, obcecada, dedicada, honesta. Sempre tive essa imagem dela, muito feliz no casamento com Paul, fazendo tudo com naturalidade e espontaneidade, sem objetivo nenhum de ser famosa, sem forçar a barra, desabrochando já na meia idade, realmente uma mulher de personalidade. Me identifico, sem pretensão, com muitas coisinhas do percurso da vida da Julia.

A identificação com Julie Powell vem pelo fato dela ser uma blogueira contando publicamente suas histórias na cozinha, incluindo sucessos e fracassos, e por ela projetar a mesma imagem que muitos de nós fazemos da Julia. Eu conhecia a Julia Child de vídeos e livros, mas não me inspirei nela, muito menos na Julie Powell para fazer o meu blog. Reconheço porém uma certa semelhança entre o que Julia & Julie fizeram e o que estou fazendo, porque cozinhar e blogar envolve muita dedicação, mas ao mesmo tempo exige um certo desprendimento. Na sala de cinema lotada de gente de todas as idades, eu pensava quantos ali cresceram vendo os programas de tevê, preparando ou apenas comendo as receitas da Julia. E quantos só descobriram Julia Child recentemente e decidiram abrir os livros e testar algumas receitas. Acredito que essa mulher grandona alegrou e enriqueceu a vida de muita gente, com seu didatismo e bom humor, sua figura carismática e divertida. Julia indiretamente salvou Julie do tédio, da frustração, da inércia. E acabou salvando outros também, de lambuja. Os que leram e se entusiasmaram pelo projeto, resgataram seus livros de receitas, ajeitaram os aventais e colheres de pau, abriram seus laptops e começaram a cozinhar e a também contar as suas próprias histórias.

»post publicado originalmente no blog Chucrute com Salsicha.

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