junho 28, 2009
Farrah Fawcett

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1947 - 2009

Quando eu a "conheci" ela era Farrah Fawcett-Majors, casada com o Lee Majors que fazia o homem de seis milhões de dólares. E logo depois ela estourou fazendo "As Panteras", no papel de Jill Monroe. Poucas personagens ficaram tão famosas e Farrah se tornou para sempre um verdadeiro ícone da década de 70, com seus cabelos esvoaçantes e escovados que viraram moda mundial.

Eu era "apaixonado" por Farrah Fawcett. Tinha fotos e mais fotos dela, artigos, revistas, recortes. Alguns anos depois descobri que além de bonita ela era talentosa ao ver filmes como Extremeties e The Burning Bed ou séries como aquela sobre a Barbara Hutton.

Depois ela foi ficando meio "maluca", se encheu de plástica e silicone e não envelheceu muito bem. Nunca mais a acompanhei e a última vez que a vi foi no filme do Robert Altman, Dr. T and the Women, que não é lá essas coisas, embora tenha sido muito legal ver a Farrah.

Enfim, é triste saber que ela morreu de câncer, que seu filho está preso e que ela sofreu tanto. Fiquei mais triste pela morte dela do que a do Michael Jackson. Pelo menos, ao que parece, ela teve apoio do Ryan O'Neal, seu segundo marido, até o final.

A imagem que ficará para sempre na memória é essa, Farrah sorridente no maiô vermelho:

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junho 13, 2009
A Stolen Life

Seguindo no festival Bette Davis e na nossa conversa particular (Fer e Moa, Moa e Fer) vamos falar sobre A Stolen Life, filme de 1946, produzido pela própria Bette que interpreta irmãs gêmeas pela primeira vez (coisa que ela faria novamente, anos mais tarde).

Antes de falar do filme em si é importante ressaltar o PRAZER que tive agora há pouco, por quase duas horas, vendo "A Stolen Life" pela primeira vez na minha vida. Existem experiências únicas que devem ser saboreadas ao máximo. Ver um bom filme pela primeira vez é uma delas. E filmes inéditos da Bette Davis são raros e quando a gente curte eles aí fica melhor ainda.

E eu adorei ver esse filme!

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Bette é Kate, uma moça boazinha que gosta de desenhar e se encanta com Bill (o bonitão Glenn Ford) que mora em um farol numa ilha onde ela tem uma casa. Kate é rica mas não é mimada. É uma moça inteligente, talentosa, delicada e que se apaixona por Bill. Bill também se encanta por ela, até conhecer sua irmão Pat (Bette Davis novamente, arrasando quarteirões).

Quando Bill conhece Pat ela o faz pensar que é Kate e ele faz a seguinte "confissão": "Kate, você é como um bolo. Antes eu te via como um bolo simples, gostoso, mas sem cobertura. Mas os homens gostam de cobertura, Kate." E ela (na verdade Pat, "fingindo" ser Kate) responde, "E hoje você tá achando que eu tenho muita cobertura, não é?" Hahahahaha! Não acreditei no diálogo.

A conclusão é que a biscateira da Pat rouba o namorado da irmã gêmea boazinha e se casa com ele. O tempo passa e Kate está perdida, sem saber o que fazer da vida, descobrindo que seu talento como pintora não é lá essas coisas e ainda apaixonada por Bill, mesmo à distância.

Bill viaja e Pat vai para a ilha e encontra com Kate. Elas resolvem passear de barco e, no meio da uma tempestade, Pat morre afogada. Kate se salva e fica com a aliança de casamento de Pat em sua mão. Obviamente todo mundo acha que Kate morreu e Pat sobreviveu. Quando Kate se dá conta que vai poder ficar como a esposa de Bill, ela toma o lugar da irmã e começa a viver como Pat.

A pobrezinha logo descobre que Bill está pedindo divórcio por ter descoberto uma infidelidade da esposa, que era uma vagabunda de marca maior. O final é feliz, claro. E a história é uma das mais velhas na face da terra (estilo Ruth e Raquel, "Mulheres de Areia", saca?) mas o filme é uma delícia.

Adorei os cenários, os coadjuvantes, o narizinho fofo do Glenn Ford novinho, os efeitos especiais maravilhosos para vermos as duas Bettes na tela ao mesmo tempo e, claro, Bette Davis em todas as cenas, vibrante e carismática, forte e única como sempre. Impossível tirar os olhos dela.

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junho 03, 2009
Watch on the Rhine

Watch on the Rhine é um filme com a Bette Davis, mas não é um filme da Bette Davis. Nele, Bette é apenas coadjuvante. Apesar dela ter um papel forte, a estrela do filme é Paul Lukas, que levou o Oscar de melhor ator do ano [1943], deixando Humphrey Bogart, o favorito por Casablanca, de mãos vazias. Lucile Watson, que faz a exuberante matriarca também roubou algumas cenas no filme e foi nomeada para o Oscar de melhor coadjuvante. Ela é uma matrona dominadora de uma família rica que espera pelo retorno da filha, genro e netos depois de 18 anos na Europa. Ela acha que o genro é um engenheiro e vai ter uma grande surpresa no decorrer da história.

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Lukas é um cidadão alemão que luta no underground contra o nazismo e o facismo. Em 1940, ele, a esposa Davis e os três filhos entram nos EUA através do México e viajam de trem até Washington, onde a mãe e irmão da esposa vivem. A esposa apoia e participa indiretamente das ações do marido. A ida para os EUA é para Lukas tentar se recuperar, pois foi ferido numa das ações.

O filme tem roteiro de Dashiell Hammett e Lillian Hellman, adaptado de uma peça de teatro escrita por Hellman. No inicio da década de 40, as peças de Hellman eram manifestos anti-facistas que tentavam abrir os olhos da América para os horrores que aconteciam na Europa. Watch on the Rhine é praticamente isso—mostrar para a família americana que nem tudo eram flores e que maldades inconcebíveis estavam sendo cometidas por alguns regimes de paises europeus.

O personagem de Lukas não encontra o descanso necessário na casa da sogra, pois esta hospedava um conde romeno que se revela um simpatizante do nazismo e ameaça denunciar o heróico cidadão para a embaixada alemã. Outro ponto muito enfatizado pelo filme é a existência desses simpatizantes do nazismo infiltrados em território americano, ajudando a dedurar inimigos e disseminar as idéias do regime.

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O filme é todo recheado de discurso ideológico em favor da luta pela liberdade e pela democracia, deixando implícito o que agora já estamos cansados de saber: que os facistas e nazistas estavam comentendo um enorme crime contra a humanidade. No final a personagem de Watson, já bem menos esfuziante que no inicio do filme, diz uma frase que sintetiza tudo:

We've been shaken out of the magnolias.

O que significa que depois de ficar sabendo detalhes do panorama tenebroso se desenrolando do outro lado do planeta, ninguém mais pode fingir que nada está acontecendo. Cada um precisa fazer o que for necessário. Mesmo assim ainda precisou de dois anos e o ataque surpresa em Pearl Harbor para os EUA finalmente tomarem uma posição e entrarem na guerra.

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Fiquei muito impressionada com Watch on the Rhine, com sua mensagem imensamente sombria e pessimista. Lukas volta para a Alemanha para tentar salvar outros companheiros. Não é mostrado o que acontece com ele, mas nós ficamos com a certeza de que ele nunca regressará.

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É sabido que Davis quis muito fazer essa personagem nesse filme, mesmo sendo coadjuvante e não tendo top billing, que foi pra Paul Lukas. Ela conta que quis fazer o filme por muitos motivos, mas especialmente por causa de um pequeno monólogo que ela fala, logo após o marido tomar a decisão que vai afetar a família para sempre:


[assista ao video]
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As três crianças que fazem os filhos de Lukas e Davis no filme são umas graças, especialmente o caçula, Bodo [Eric Roberts], que fala de uma maneira afetada e engraçada. Mas o filho mais velho, Joshua, interpretado pelo ator Donald Buka me fez lembrar um outro ator contemporâneo. Buka é bem parecido com o Tom Cruise, só que sem as tonhices de lunices do último. Prestem atenção nessa carinha do passado e me digam se não tenho razão.

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maio 29, 2009
In This Our Life

Comprei uma caixa com seis filmes da Bette Davis achando que, pelos títulos, não tinha assistido a nenhum deles ainda. Quando comentei esse fato com o Moa, ele comentou de volta que eu provavelmente tinha sim assistido alguns e que até tinha escrito sobre eles aqui no Cinefilia. Eu comentei de volta que se tiver mesmo assistido, iria me lembrar logo na primeira cena quando rodasse os dvds. E dito e feito. Um não foi preciso nem rodar a bolacha, bastou olhar na capa, que figurava uma ilustração com a Bette abraçada com o Paul Henreid e o Claude Rains com cara de mal num canto. O filme era Deception, que eu já vi várias vezes e escrevi mesmo sobre ele e de como a Bette Davis got away with murder.

Mas o próximo filme que decidi ver era realmente inédito pra mim. In This Our Life de 1942 dirigido pelo John Huston. Uma obra prima do melodrama maniqueísta.

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Bette Davis e Olivia de Havilland são duas irmãs com nomes masculinos—Stanley e Roy, filhas de um pai bonzinho e fracassado [Frank Craven], sobrinhas de um espertalhão bem-sucedido [Charles Coburn]. Stanley é vaidosa, fútil, invejosa, gananciosa, mentirosa, frívola, essencialmente uma vagaba da pior qualidade. Roy é boazinha. Quando o filme começa, Roy está pacientemente costurando [a mão] o vestido de noiva de Stanley, que vai se casar com Craig [George Brent]. Roy já é casada, com o médico bonitão Peter [Dennis Morgan]. Mas o que vemos logo no inicio é Stanley no seu carro beijando o cunhado. Em minutos testemunhamos o desenrolar do drama, Stantey foge com Peter, deixando todos na família chocados e a boazinha Roy extremamente triste.

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Esse filme aparentemente foi o que Bette Davis mais detestou dentre todos os muitos filmes que fez na sua longa carreira. Segundo ela esse foi o filme mais horrível que ela fez. Mas ela está ótima nele, pois nos faz odiar a personagem ao ponto de quase sairmos gritando "die, Stanley, DIE" com ganas de estrangular aquela mulher monstruosa. Essa personagem é, na minha opinião, muito pior que a Mildred de Of Human Bondage. Essa faz coisas muito, muito mais escabrosas, como levar o marido que ela roubou da irmã ao suicídio e depois atropelar com seu carro e matar uma criança e botar a culpa num rapaz negro. E sua irmã Roy é exatamente o seu oposto, bom carater, sincera, honesta, leal, gentil, generosa. Claro que no interim Roy e Craig se apaixonam e Stanley tenta novamente roubar o homem da irmã.

Além de todo esse horror fraternal, o filme ainda sugere uma relação incestuosa entre Stanley e o tio crápula. Quando é desmascarada pelo ex-noivo na questão do atropelamento, Stanley corre para pedir ajuda do tio, que é um homem importante e influente. Aí Bette tem mais uma cena marcante, no estilo de The Little Foxes, quando Regina Giddens deixa o marido morrer. Aqui o tio conta que recebeu o diagnóstico de apenas 6 meses de vida e Stanley, desesperada, manda a vida do velho às favas! Damalhão fenomenal!

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Em In This Our Life Bette também está com uma maquiagem que foi muito criticada pelo público, com uma boca e olhos exagerados, coisa que só piriguete fazia naquela época. Enquanto que Roy é super discreta, de cabelo preso, batom levinho e maneirismos timidos, Stanley usa vestidos de flores gigantes e dança, flerta com o tio velho, faz chantagens, é a epítome da futilidade e da inconsequência.

Para o alivio de nós espectadores torturados e a mentalidade moralista da época, a personagem ruim não se safa. Vence o bem, mesmo que o mal se mostre charmosamente e sedutoramente encarnado pela insuperável Bette Davis.

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maio 26, 2009
That's Hollywood!
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Me lembro, ainda criança assistindo filmes na Sessão da Tarde nas férias, de ir até a cozinha e encher uma xícara de café tirado de uma garrafa térmica que ficava sempre num canto da cozinha, para satisfazer os inúmeros cafezinhos que o meu pai bebia diáriamente. Eu fazia isso porque via os personagens nos filmes americanos bebendo café e ficava impressionada e motivada com o gosto com que eles faziam aquilo. O charme era o fato deles não usarem as xícarazinhas, como o meu pai fazia, mas umas xícarazonas de chá cheias do liquido negro. O que eu não sabia é que o café dos filmes era realmente esse café fraco, que hoje eu conheco muito bem, e não o nosso café forte, próprio para ser bebido nas xícarazinhas. Eu devia ficar totalmente turbinada, mas era legal demais tentar imitar o pessoal dos filmes!

Uma prima do Uriel, que também mora aqui nos EUA, uma vez me contou da primeira impressão de uma das irmãs dela, quando chegou em New York para visitá-la. Ela estava inconformada e perguntava insistentemente onde estava aquela comida maravilhosa e deliciosa que ela passou a vida assistindo aos personagens comerem lambendo os beiços nos filmes? Onde estão os donuts, as pizzas, o café—esse é o mais enganador—os hot-dogs, aquelas coisas que pareciam uma estupenda delicia, mas—WHAT A SURPRISE—não são!! Enganação de Hollywood? Ilusão coletiva?

Eu observo muito a comida nos filmes. Como os atores comem ou não comem. Nos filmes antigos, todo mundo sentava-se à mesa, mas se prestarmos bem atenção vamos notar que ninguém realmente comia. Hoje os filmes são mais realistas. Eu deito cedo e fico lendo, fazendo coisas no computador e vendo filmes na tevê —tudo ao mesmo tempo agora! Outro dia enquanto pagava minhas contas online, passava o filme Moonstruck, com a Cher e o Nicolas Cage. É um filminho fofo, que eu não me incomodo de rever mil vezes. Muitas cenas se passam na cozinha da casa da famiglia Castorini. Eu adoro aquele tipo de cozinha, com muito espaço, uma mesa no centro. Numa das cenas, Olympia Dukakis prepara sunshine toasts—aquele ovo frito enclausurado num buraco no centro de um pão tostado, que se faz tudo junto, na frigideira ou no forno. Eu sempre quis fazer essas toasts, mas como não curto ovo e só faço breakfast quando tenho visitas, nunca tive a oportunidade de testar essa receita interessante. No filme, o ovo vasa por baixo e dá pra perceber que vai ficar uma bela droga quando a senhora Castorini vira a toast na frigideira. A filha cheira o prato antes de enchê-lo de sal e mesmo assim não come. Vejam o filme e reparem!

Outra cena na cozinha é a final, quando a mãe prepara um mingau para todos: sogro, marido, filha, pretendente da filha e casal de amigos. Todo mundo come o mingau enquanto os nós da trama são desfeitos. Pra mim essas cenas dos filmes são preciosas e quase sempre inesquecíveis. Mas agora cresci e amadureci [um pouco] e desta vez não corri pra minha cozinha pra fazer um mingau!

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maio 19, 2009
the smiling lieutenant
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The Smiling Lieutenant é um daqueles filmes que você assiste, do começo ao fim, com um sorriso apatetado na cara. Tudo nele é fofo e adorável. Dirigido pelo alemão Ernst Lubitsch em 1931, ele faz parte dos maravilhosos filmes pre-code, isto é, da fase liberal de Hollywood, antes da imposição do código careta nos roteiros dos filmes. Isso quer dizer que The Smiling Lieutenant é recheado de sexo, drogas & all that jazz! Muitas insinuações sexuais picantes, tramas ousadas e vestidos decotados, vaporosos, transparentes e acetinados—nem sombra da presença dos horripilentos sutiãs de bojo. Como sempre faço, já vi e revi o filme inúmeras vezes e me encanto ou dou gargalhadas sonoras sempre com as mesmas cenas. A história é muito divertida. Maurice Chevalier é um tenente do exército austríaco, mulherengo e fanfarrão que começa a namorar a Claudette Colbert, uma garota liberada que comanda e toca violino numa banda só de mulheres. Quando o rei e a princesa do reino de Flausenthurm chegam em Viena, o tenente está na parada de recepção. No momento em que ele vê a namorada do outro lado da calçada e dá um sorrisinho e uma piscada para ela, a carruagem real passa e a princesa Miriam Hopkins pensa que a piscada é para ela. Dali em diante cenas divertidas abundam.

Ernst Lubitsch ficou famoso em Hollywood pela elegância dos seus filmes, sempre cheios de detalhes delicados e com um humor muito inteligente e sofisticado. Muitos dizem que seus filmes tinham um toque especial, o "toque de Lubitsch". Eu concordo totalmente. Ainda não vi um filme dele que eu não tenha adorado. Apesar de não gostar muito do Maurice Chevalier, relevei por causa da presença da foférrima Claudette Colbert—que está a cara da Betty Boop—e da Miriam Hopkins—que era a arquinimiga number one da Betty Davis e portanto completamente odiada pelo Moa—que eu considero uma grande comediante, além de linda e charmosa.

Eu tinha que destacar uma cena do filme que tem comida envolvida. Desta vez, comida e sexo. Nessa sequência Chevalier e Colbert tomam café da manhã juntos e cantam um pro outro, com insinuações de que passaram a noite juntos, não exatamente tocando violino e piano. Pode até ser que seja apenas uma canção romântica, sem nenhuma insinuação sexual, mas se for o caso, peloamordededeus alguém me explica o que significa quando ela diz que se esvaece quando ele invade a marmalade?

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he: a dinner, a supper for two believe me I know what to do, but breakfast is colder, love seems much older, yet the exception is you. you put kisses in the coffee, such temptation in the tea

she: i get a trill that sends a chill right through me, when you pass the toast to me

he: there's paradise in every slice of bacon

she: and you awaken such yearning when you beg for scrambled eggs

he: and you put "it" in every omelet

together: breakfast time, this must be love!

he: you put glamour in the grapefruit, you put passion in the prunes

she: i find romance each sweet entrancing moment, every time you touch the spoon

he: i must admit with every bit of liver I start to quiver

she: i'm gone... when you invade the marmalade

he: and you put magic in the muffins

together: breakfast time, this must be love!

[»post cinematográfico importado do Chucrute com Salsicha]

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abril 12, 2009
Chad Allen & The Donald Strachey Mysteries

O homem da hora na minha tela é Chad Allen. Ator desde criança, Allen assumiu sua homossexualidade publicamente há alguns anos. Desde então ele tem atuado e produzido filmes com a temática gay como Save Me, em parceria com o também ator e produtor, o adorável Robert Gant.

Mas embora eu tenha achado Save Me um filme maravilhoso, o que tem me divertido mesmo é a série de filmes sobre o detetive gay Donald Strachey baseada nos livros de Richard Stevenson. São quatro filmes até agora e eu já vi três deles. Donald, vivido por Chad Allen, é o detetive que saiu na capa de uma revista gay e ficou conhecido como "o detetive gay" em Albany, NY, cidade onde vive e trabalha, resolvendo casos cujos clientes são invariavelmente gays. Ele é casado com Tim Callahan, vivido pelo também adorável Sebastian Spence. Tim é assessor de uma senadora e é todo engomadinho e sério. Donald é mais "largado", seu carro nunca funciona direito, ele não ganha muito dinheiro e vive levando socos na cara. Mas ele é encantador e sempre consegue resolver os casos, é claro. O relacionamento dos dois é delicioso e eu simplesmente "viciei" nessas histórias cheias de clichés dos filmes de detetives, mas com o frescor de ver dois homem num relacionamento maduro e comprometido com paixão, carinho e cumplicidade.

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Os títulos são Third Man Out, Shock to the System, On the Other Hand, Death e o que eu ainda não vi Ice Blues. Todos dirigidos por Ron Oliver. Não sei quando vão sair no Brasil, se é que vão, mas nos Estados Unidos já estão todos disponíveis em DVD. Foram produzidos pelo canal de TV canadense here! e eu tenho pensado muito em mudar para o Canadá. Lá parece ser realmente um lugar MUUUUUITO mais evoluído do que o mundinho onde eu vivo.

>suspiros< Mais uma fantasia na minha cabeça...

E para não deixar de ilustrar, Mr. Allen em Third Man Out é também de me fazer suspirar...

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abril 05, 2009
Now, Voyager

Há "trocentos" anos eu vi uma mostra de filmes da Bette Davis na PUC aqui do Rio, em cópias VHS emprestadas da videoteca particular do ator Sérgio Brito. Naquela semana eu vi um monte de filmes que eu nunca tinha visto antes e que nunca vi desde então. Alguns, é fato, se tornaram mais acessíveis com o advento do DVD e da proliferação de títulos clássicos disponíveis no mercado brasileiro. Mas outros ficaram só na memória. E a memória estava se esvaindo.


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Agora, graças a internet e suas maravilhas, estou novamente com acesso a algumas pérolas. Hoje eu revi, ou diria vi pela primeira vez, pois a emoção foi como se tivesse sido, Now, Voyager, de 1942. Nesse filme Bette está bem diferente do "normal". Ela não tem uma personalidade muito forte e não é dominadora, muito pelo contrário. No início da história ela é um patinho feio, de fato horroroso, e sua mãe é quem a tortura ditando toda espécie de regra imaginavel para a vida da filha. Depois de um colapso nervoso Bette é internada num sanatório e passa um tempo lá. De uma cena para outra ela é praticamente curada, junto com um make over que a deixa glamourosa de um dia para o outro e ela embarca num cruzeiro para a América do Sul. O destino final é Buenos Aires, mas é no Rio de Janeiro que ela vive um grande amor com um homem que conheceu a bordo.

Algumas cenas engraçadíssimas com o taxista que fala português e os deixa numa estrada para passarem a noite depois de um acidente de carro. Graças ao back projection vemos Bette e Paul Henreid, o galã do filme, em várias cenas no Rio de Janeiro, com direito a, claro, Pão de Açúcar, Corcovado e Copacabana. Tem também algumas imagens aéreas da Cinelândia e do centro do Rio que são muito bonitas, embora rápidas.

Outra coisa que me chamou atenção é a quantidade de cigarros que eles fumam e o gesto "romântico" que virou assinatura do filme e moda na época, em que o mocinho acende dois cigarros ao mesmo tempo e estende um para ela. Eles se olham apaixonadamente através de cortinas de fumaça e parece que isso substitui as cenas de amor. Aliás, as cenas com os cigarros SÃO as cenas de amor. É o mais íntimo que eles mostram, pois até os beijos são menos numerosos que os cigarros.

Apesar disso tudo eu adorei o filme. Tem uma certa inocência que cai bem nesse tipo de filme. E Bette Davis está tão suave, tão sutil, que chegou a me surpreender. Vou ver de novo. ;ˆ)


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